O céu do Tejo
Anotações e imagens da vidinha lisboeta
27 de outubro de 2011
Porto. Em frente ao cemitério.
30 de setembro de 2011
Parte II
29 de setembro de 2011
Realidade, ficção e pirataria
3 de setembro de 2011
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As novidades (pra mim, claro):
- Caixa Forum Madrid: El Paseo del Prado ganhou mais um centro cultural. O prédio é bonito e bacana, as exposições são ótimas e a livraria/loja adorável. E é gratuito. Coladinho com o Reina Sofía.
- El matadero: “Centro recreatico de creación contemporânea”, é o que eles dizem. Antigamente matavam-se bois aqui. O projeto ainda não decolou mais é uma boa ideia. Armazéns revitalizados, espaço para exposições, música ao vivo – e gratuita. Pena que a comida era um simulacro da boa comida. Calamares e croquetas deixaram a desejar.
- Finca de Susana. Nem é novidade, já existia quando morei em Madrid, mas nunca havia comido lá. Delícia. O Arroz negro de sépia (ou seja, com a tinta da lula) é de comer ajoelhado. Assim como os chipirones (filhotes de lula) a andaluz. Tem cara de chique, mas é barato! Pena que os garçons sejam um tanto quanto bordes.
O que não mudou:
- O pulpo a la plancha do Maceiras. Melhor polvo da vida. O arroz de marisco (arroz marinero) também continua delicioso e farto. E o ambiente descontraído – alô comercial veiculado nas madrugadas da Bandeirantes.
- Meu embasbacamento com o museu do Prado e com o Thyssen. Do primeiro, fico com Bosch e as pinturas negras de Goya. Do segundo, com Lucian Freud, Hoper e Michael Andrews (grata descoberta).
- O perfil notívago dos espanhóis e o fato de a praça, o parque, enfim, as ruas, serem públicos – e usados. Pais com crianças, jovens, casais, senhores; todos estão na rua. Alguns bebem, outros leem, outros brincam. A rua é de todos até altas horas.
- A mala ostia dos funcionários da Easyjet. Vale-dor-de-cabeça está incluso na passagem.
O imperdível:
- Ermita de San Antonio, no paseo de la florida. Uma pequena capela que conserva afrescos pintados por Goya em 1798. Mas não são quaisquer afrescos. Seus anjos são de uma beleza difícil de explicar (e esquecer), suas escolhas, nada óbvias. As cores impressionam e ali, entre um personagem e outro, está um prenúncio do que ele viria a fazer em suas pinturas negras (igualmente imperdíveis, expostas no Museo del Prado). É curioso que a capela-museu, superbem conservada, tem entrada gratuita, uma sala em que é exibido um documentário bem bacana sobre a restauração da igreja e dos afrescos. Por 1 euro, compra-se um livrinho excelente com reproduções dos afrescos e história detalhada da Ermita, que a sua esquerda tem uma irmã gêmea, construída para acolher os fieis - e preservar corpo e obra de Goya. No site da prefeitura de Madrid é possível ler mais sobre a Ermita.
O que mudou:
- A praça Tirso de Molina, antes – falo de 2004-2005, quando morei em Madrid – reduto de “junkies e drogadictos”, finalmente virou a Plaza de las Flores. Ainda tem um mendigo ou outro de estimação, mas recebeu quiosques de flores, uma terraza e canteiros com plantas.
- O Museo Reina Sofía, expandido, com seus dois elevadores panorâmicos. A parte mais bonita é o jardim.
- Eu. Ter 29 anos é diferente de ter 22. Pesando prós e contras, a idade atual ganha de lavada.
24 de agosto de 2011
Extra! Extra!
22 de agosto de 2011
Sexta, às 2h, no bar:
- Ah, legal. Gostou?
- Olha, vou lhes dizer, ali há muito que melhorar em termos de segurança. E olha que eu estive na melhor zona. Zona alta, estive ali mesmo na Visconde de Pirajá.
- Zona alta?
- É, de gente da alta.
[ Alta sociedade, intervém o garçom]
- Meu amigo que mora há muitos anos lá definiu a cidade: “Pedro, garoto, isso daqui é a mistura do luxo com o lixo”.
- É, é verdade...
- De Copacabana, não gostei. Ali tem muito do lixo. Ipanema, Leblon, Santa Teresa, Botafogo estão bem. Fui à Baronetti, vocês devem conhecer, aquilo é bom.
- É, a gente sabe onde é...
- Mas aquilo lá precisa ainda melhorar muito em termos de segurança.
- Somos uma democracia jovem, há muito por fazer...
- Vocês precisam valorizar os índios! – diz outro cliente do bar, de passagem.
- Vocês não sabem, nós sabemos, mas a grande coisa que aconteceu ao Brasil foi o Lula. Ele fez muito pelo país.
- Sem dúvida. Nós gostamos dele...
- Pá, você me desculpe, mas eu vou dizer: sou um gajo de esquerda.
- Ah...
- O que tem que ser feito no Brasil é aumentar a classe média. Essa é a diferença da Europa. Porque, veja bem, eu sou um gajo de esquerda, então, penso que não pode haver um bairro onde só há um tipo de gente metida ali. Senão começam a haver...
- Guetos.
- Isso, guetos. Pois, se você mete num bairro ciganos e gente normal o que vai a passar é o que acontece nos filmes: o rico vai casar com o pobre, e o cigano vai ver que não precisa... viver feito cigano.
- Ah...
- Vocês me desculpem, é que sou um gajo de esquerda.
+++
Desde que cheguei não houve uma única pessoa que conseguisse dar uma informação sem confundir esquerda com direita. A boca diz uma coisa, a mão vai para o lado oposto. Talvez todos sofram de ambilevidade – inclusive o Pedro.
